Existe um paradoxo silencioso acontecendo dentro das empresas. Nunca se falou tanto sobre segurança psicológica, empatia e cuidado; ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil encontrar pessoas dispostas a assumir responsabilidades maiores e ocupar posições de liderança.
Veja só: durante muito tempo, acreditamos que liderar significava reduzir o desconforto das equipes. Criamos processos para evitar conflitos, suavizamos feedbacks, transformamos qualquer divergência em risco e passamos a medir a qualidade de um ambiente pela ausência de atrito. Mas trabalho nunca foi um espaço sem tensão. Trabalho é, por natureza, um lugar de decisões difíceis, interesses diferentes e crescimento constante.
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Quando eliminamos toda fricção, eliminamos também uma parte importante do desenvolvimento humano. É por isso que tantas lideranças hoje vivem exaustas. Elas deixaram de conduzir o futuro para administrar o presente. Passam boa parte da semana resolvendo questões que poderiam ser resolvidas pelas próprias equipes, validando decisões que não precisariam chegar até elas e protegendo profissionais de desconfortos que fazem parte da vida adulta.
Sem perceber, muitas organizações transformaram suas lideranças em mediadoras permanentes e seus times em dependentes de validação.
O fato é que existe uma diferença importante entre oferecer apoio e retirar da pessoa a responsabilidade por lidar com a própria realidade.
