Ativistas da oposição da Nicarágua que estão no exílio afirmaram que a decisão de Daniel Ortega, líder do país, de não realizar eleições confirma o que dizem ser intenção de permanecer no poder indefinidamente e proteger seu governo de qualquer responsabilização.
Essas declarações foram feitas após anos de repressão crescente na Nicarágua, onde Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, intensificaram o controle sobre as instituições estatais, o Judiciário, o Legislativo, o sistema eleitoral e a sociedade civil.
Desde os protestos antigovernamentais em massa de 2018, centenas de opositores, ativistas, jornalistas, integrantes do clero e líderes cívicos foram presos, forçados ao exílio ou tiveram sua nacionalidade retirada, segundo grupos de direitos humanos e organismos internacionais.
Salvador Marengo, coordenador do coletivo de direitos humanos “Nicarágua Nunca Mais” avaliou que essa situação demonstra a “consolidação da impunidade” e a “total falta de vontade política do regime em iniciar processos de justiça, verdade ou memória”.
“Pelo contrário: eles tentam, ou desejam, perpetuar-se no poder, pois a intenção subjacente é justamente garantir essa transição; não uma transição democrática, mas uma transição familiar, uma transição dinástica”, comentou.
O ex-candidato à presidência Felix Maradiaga afirmou que a medida de Ortega refletia medo, e não estabilidade.
