Todos os anos, universidades brasileiras, públicas e privadas, formam milhares de estudantes, publicam dezenas de milhares de artigos científicos e mobilizam contingentes expressivos de professores, pesquisadores, laboratórios e recursos. Ainda assim, quando observamos o que acontece depois dessa produção de conhecimento, as diferenças tornam-se enormes. Algumas universidades conseguem transformar pesquisas em tecnologias, proteger ativos intelectuais, transferir conhecimento, criar novos negócios e fazer soluções chegarem efetivamente à sociedade e ao mercado. Outras, mesmo produzindo ciência de qualidade e dispondo de competências semelhantes, encontram enorme dificuldade para fazer o conhecimento atravessar seus próprios muros. Afinal, por que algumas universidades inovam e outras não?
Antes, porém, convém esclarecer o que estamos chamando de inovação. O termo é frequentemente utilizado como sinônimo de novidade, invenção ou simples melhoria, mas, no contexto deste artigo, inovação tem um sentido mais específico: ocorre quando o conhecimento se transforma em soluções novas ou significativamente aprimoradas que são implementadas e passam a gerar valor, econômico, social ou público, por meio de produtos, serviços, processos, políticas ou modelos organizacionais. Uma pesquisa pode gerar conhecimento e uma invenção pode resultar em uma patente, mas nenhuma delas, isoladamente, representa necessariamente uma inovação.
