O presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, afirmou em entrevista ao Bastidores CNN que parte do empresariado americano também se posiciona contra o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para ele, a decisão tem um claro componente político e não se justifica pelos dados econômicos da relação bilateral entre os dois países.
Velloso destacou que o governo brasileiro esteve presente nas negociações com o USTR, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, tendo realizado reuniões diretas, inclusive com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos.
Por isso, segundo ele, a ausência do governo nas audiências públicas era esperada e faz sentido: “O governo estava na mesa de negociação. A audiência pública era justamente para ouvir quem não estava na mesa de negociação, que são as entidades”.
Resultado político já estava dado antes das audiências
O representante da Abimaq argumentou que o resultado da investigação conhecida como “Seção 301”, que culminou na tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, já estava determinado antes mesmo das audiências públicas.
“Os Estados Unidos já tinham decidido que era 25%, a gente já falava isso aqui no Brasil”, afirmou Velloso. Ele lembrou que também esteve presente nas audiências, assim como Flávio Bolsonaro (PL), mas avaliou que nenhuma das participações alterou o desfecho.
