Uma imagem de um pássaro norte-americano registrado no Brasil chamou atenção na plataforma iNaturalist, mas o caso acabou revelando um problema crescente para a ciência: imagens alteradas por inteligência artificial. O suposto registro de um graúna-de-asa-vermelha, espécie que não ocorre na região, era na verdade um sargento (epaulet oriole), ave comum no local.
O caso foi citado em um alerta publicado na revista Nature Ecology & Evolution pelos pesquisadores Alexander Lees, ecologista da Manchester Metropolitan University e autor principal do estudo, e Tony Iwane, coautor da pesquisa e representante do iNaturalist. Os autores destacaram o avanço do chamado “AI slop”, termo usado para descrever conteúdos de baixa qualidade gerados por IA.
Segundo eles, o problema inclui imagens totalmente falsas e pequenas edições que parecem inofensivas, mas podem comprometer registros usados em estudos de biodiversidade. A foto do pássaro brasileiro foi alterada com uma ferramenta de IA para melhorar a qualidade da imagem. Durante o processo, o sistema modificou características do animal e criou uma aparência semelhante à de outra espécie.
Ao remover galhos, melhorar foco ou corrigir imperfeições, ferramentas de IA podem reconstruir partes dos animais e modificar detalhes importantes para a identificação científica, como cores e padrões das penas. Essas alterações podem comprometer registros usados para acompanhar mudanças no comportamento e na distribuição de espécies.
