Por mais de um século, a suposta inscrição da Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro, tem despertado o interesse de historiadores, arqueólogos, geólogos e estudiosos das antigas navegações. Desde que Bernardo de Azevedo da Silva Ramos publicou sua interpretação (“Tiro, Fenícia. Badezir, primogênito de Jethbaal”), no início do século XX, sugerindo que aqueles sulcos corresponderiam a uma inscrição fenícia, o debate permanece vivo, embora sem consenso científico.
A presente análise partiu de fotografias do paredão rochoso, nas quais foram realçados digitalmente os principais sulcos e fraturas visíveis. Em seguida, esses traços foram comparados com as vinte e duas letras do alfabeto fenício, utilizado no Mediterrâneo oriental entre os séculos XI e III a.C.
O estudo revelou que algumas marcas apresentam semelhanças formais com determinados caracteres fenícios, sobretudo aqueles compostos por traços verticais, ângulos e linhas simples. Visualmente, alguns sulcos lembram letras como Waw, Taw, Lamed, Yod e Resh. Contudo, essas correspondências são apenas morfológicas e não constituem prova de escrita.
Quando analisadas segundo os critérios da Epigrafia (disciplina responsável pelo estudo das inscrições antigas) surgem dificuldades significativas. As marcas não apresentam alinhamento uniforme, não mantêm espaçamento regular entre supostos caracteres, variam em profundidade e orientação e, principalmente, não formam uma sequência linguística coerente.
