No dia 29 de junho, durante o jogo entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo, o setor elétrico brasileiro viveu uma demonstração prática de um fenômeno que tende a se tornar cada vez mais frequente.
Enquanto milhões de pessoas acompanhavam a partida, a carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) caiu cerca de 21%. Ao mesmo tempo, a geração renovável permanecia elevada, exigindo uma resposta rápida da operação para manter o equilíbrio do sistema. O resultado foi o corte de aproximadamente 20 GW de geração renovável para preservar a estabilidade da operação.
Pouco mais de duas semanas depois, em 15 de julho de 2026, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) realizou o 3º Mecanismo Competitivo de Resposta da Demanda por Disponibilidade e alcançou o melhor resultado desde a criação da iniciativa: 344 MW contratados, crescimento de aproximadamente 50% em relação ao certame anterior e deságio médio de 49,23%.
Os dois eventos não possuem relação direta. Mas ajudam a ilustrar uma transformação relevante do setor elétrico brasileiro: a crescente importância da flexibilidade em um sistema cada vez mais renovável.
A verdadeira comparação não é com 344 MW
Os 344 MW contratados representam um avanço importante para um mecanismo ainda em amadurecimento regulatório.
Mas a comparação inevitável é com o que ocorreu poucas semanas antes.
Durante o jogo entre Brasil e Japão, o ONS precisou reduzir cerca de 20 GW de geração renovável para preservar o equilíbrio do sistema.
