Novos movimentos de dirigentes políticos na América Latina acendem alertas sobre o respeito ao mínimo de convivência democrática na região. A maioria dos episódios envolve ataques a direitos eleitorais e à própria institucionalidade dos regimes, em países que vão da esquerda à direita do espectro político.
O caso mais recente veio da Nicarágua. Daniel Ortega, que está à frente do país desde 2008, anunciou o fim das eleições, medida que foi recebida com aplauso de apoiadores.
O episódio gerou repúdio dos Estados Unidos: Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, afirmou que Ortega abandonou até mesmo a pretensão de um consenso popular e pediu apoio da comunidade internacional para demonstrar à ditadura que ela não manterá relações normais no hemisfério.
Autoritarismo de esquerda e de direita
O fenômeno não se limita à esquerda. Em El Salvador, Nayib Bukele conseguiu que o Congresso alterasse a lei para permitir que ele dispute um terceiro mandato, algo que até então não era permitido.
Caso vença, permanecerá no cargo até 2033. O grupo governista controla praticamente todas as instituições do país, incluindo as eleitorais e a mais alta instância da Justiça.
Mesmo em países com processos eleitorais considerados livres, candidatos derrotados têm alegado fraude: Gustavo Petro, na Colômbia, e Roberto Sanches, no Peru, fizeram acusações de irregularidades, embora institutos internacionais apontem para processos legais em ambos os casos.
