Cinco das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos acumulam cerca de US$ 1,6 trilhão (R$ 8,4 trilhões) em dívidas fora de seus balanços contábeis, valor que supera os US$ 1,3 trilhão (R$ 6,9 trilhões) em passivos oficialmente declarados pelas companhias.
Segundo um estudo do Nikkei, esses compromissos financeiros vêm sendo utilizados para financiar a expansão dos data centers voltados à inteligência artificial (IA).
O levantamento aponta que o volume de dívidas mantidas fora dos registros contábeis cresceu aproximadamente oito vezes em quatro anos entre Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Oracle.
Embora essa estrutura remeta ao modelo utilizado pela Enron antes de seu colapso, o estudo destaca que, atualmente, a prática ocorre dentro das regras contábeis vigentes e é considerada legal devido às exigências de transparência e divulgação introduzidas após o escândalo da empresa estadunidense.
Estrutura lembra modelo usado pela Enron
O estudo compara o mecanismo ao utilizado pela Enron há cerca de 25 anos, quando a companhia recorreu a veículos de propósito específico para ocultar dívidas, prática que posteriormente foi caracterizada como fraude;
Hoje, segundo a análise, a utilização dessas estruturas permanece permitida, desde que as informações sejam devidamente divulgadas aos investidores;
“O crime da Enron não foi ter veículos de propósito específico”, afirmou o analista Gil Luria à Bloomberg Law.
