Pesquisadores de segurança da empresa Island revelaram uma extensa campanha cibernética, batizada de FakeGit, que utiliza quase 7.600 repositórios falsos no GitHub para disseminar programas maliciosos. O alvo principal são desenvolvedores e profissionais de tecnologia que buscam ferramentas no GitHub. Dentre os projetos identificados, mais de 800 se passam por servidores do Model Context Protocol (MCP) ou por “habilidades” (skills) de Inteligência Artificial (IA), extensões usadas para conectar assistentes virtuais a bancos de dados, serviços de e-mail ou sistemas de empresas.
O grande diferencial e a maior ameaça da operação FakeGit está no uso de uma técnica apelidada pelos especialistas de “AgentBaiting”. A estratégia consiste em manipular os mecanismos de busca utilizados pelos próprios agentes de IA. Ao invés de enviar links suspeitos por e-mail ou mensagens diretas ao usuário, os golpistas preparam armadilhas no código e na documentação dos repositórios.
Assim, quando uma pessoa pede para a IA encontrar uma ferramenta ou integração específica na web, o assistente encontra o repositório falso, confia na documentação e repassa as instruções de instalação maliciosas diretamente para o usuário. "Um roteiro criado para enganar pessoas agora engana os agentes que atuam em nome delas", alerta Oleg Zaytsev, pesquisador-chefe de segurança da Island.
