O chamado “pacote de bondades” prevê a injeção de cerca de R$ 227 bilhões na economia em 2026 por meio de uma série de medidas, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a concessão de crédito subsidiado para diferentes categorias.
Embora parte dessas iniciativas seja considerada fiscalmente neutra, o conjunto do pacote levanta preocupações sobre seus impactos na inflação e na sustentabilidade das contas públicas.
Em entrevista ao CNN Money, o economista Arnaldo Lima afirmou que a ampliação dos estímulos à demanda agregada tende a pressionar o Banco Central a adotar uma política monetária mais restritiva.
“Na hora que você cria um impulso fiscal adicional, o Banco Central é forçado a ter uma política monetária mais restritiva”, afirmou.
Segundo ele, esse cenário cria um círculo vicioso. “Com juros elevados, empresários preferem investir em renda fixa e títulos públicos a expandir maquinário e fábricas”, disse, acrescentando que isso acaba prejudicando a economia de forma geral.
Lima também chamou atenção para a trajetória da dívida pública. “O Brasil está crescendo com a sua dívida bruta. Isso nos preocupa e tira a credibilidade do arcabouço fiscal para que a gente tenha taxas de juros reais compatíveis com a linha de desenvolvimento que queremos ter”, declarou.
Segundo o economista, a dívida bruta, atualmente em 81% do PIB, deve alcançar 88% até 2029.
