Cortes e mudanças na ajuda externa dos Estados Unidos, promovidos pelo governo do presidente Donald Trump, fizeram com que menos crianças recebessem tratamento para o HIV com apoio dos EUA, segundo um estudo apresentado nesta terça-feira (21).
Isso impactou cerca de 77 mil crianças no período até outubro de 2025, na comparação com o ano fiscal anterior, ainda de acordo com o estudo.
O documento se refere apenas aos auxílios apoiados pelos EUA, e algumas dessas crianças podem ter recebido tratamento por meio de outros governos ou doadores.
A análise dos dados do governo dos EUA revelou que o tratamento pediátrico para o HIV apoiado pelos EUA caiu cerca de 14% em relação ao ano anterior, embora os pesquisadores tenham afirmado que são necessários dados mais detalhados por país para avaliar o impacto total.
“Esses são sinais, não um veredicto. Mas as crianças não podem esperar”, disse Kenneth Ngure, professor de saúde global da Universidade Jomo Kenyatta de Agricultura e Tecnologia e coautor do estudo, apresentado nesta terça-feira (21) na conferência Aids 2026, no Rio de Janeiro.
Outros estudos, inclusive os da Unaids, o programa conjunto da ONU sobre HIV/Aids –, também apontaram lacunas na resposta ao vírus desde os cortes.
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu a um pedido de comentário.
