Para os povos amazônidas, os rios são caminhos ancestrais. Os Buhuraem, popularmente conhecidos por povo Mura, historicamente são reconhecidos como os “senhores das águas”, exímios construtores de ubás – as canoas ou cascos.
Contudo, o avanço colonial empurrou-os para os igarapés menores, ainda assim seguiram resistindo para sobreviver.
Foi neste mesmo espaço que compartilharam com os migrantes nordestinos, fugitivos da grande seca de 1877, seus territórios e os ensinaram a se manterem vivos na densa floresta.
A Amazônia é uma construção do entrelaçamento de povos e comunidades tradicionais, com seus modos de vidas específicos, com valor cultural e espiritual imensurável.
Durante a ditadura militar, nos anos 70 e 80, diversos planos foram implementados para ocupar os supostos “espaços vazios”.
Daí em diante, a Amazônia tornou-se um território a ser integrado ao modelo desenvolvimentista e políticas integracionistas, com projetos de infraestrutura para viabilizar esse escoamento de matérias-primas, onde o minério e a madeira são pontas de lança, enquanto os povos indígenas e as comunidades tradicionais vão ficando à margem, sofrendo com as invasões de seus espaços de vida.
Já mais recentemente, o avanço do agronegócio rumo ao norte do país tem influenciado um movimento nas fronteiras da Amazônia: a soja se instala no pasto degradado, empurrando o gado para novas áreas de desmatamento por meio da grilagem.
