A guerra entre a Ucrânia e a Rússia já entrou no seu quinto ano, mas o conflito continua muito longe de uma solução e é, hoje, muito diferente do que era no início.
O que começou como uma tentativa relâmpago de invasão pelos russos se transformou em uma guerra longa, de desgaste e atrito, cada vez mais tecnológica e com impactos profundos na vida de milhões de pessoas.
Ao longo desse período, o conflito deixou de ser apenas uma disputa por território e passou a envolver economia, inovação militar e resistência social em uma escala que poucos previam no início.
Eu acompanhei essa transformação de perto.
Estive na Ucrânia em três momentos distintos: em agosto de 2023, em abril de 2024 e em maio deste ano. Percorri o país várias vezes, atravessando desde cidades mais protegidas no oeste até áreas na linha de frente, no leste e no sul, além de regiões a poucos quilômetros da fronteira com a Rússia.
Passei pelas principais cidades do país, como Kiev, Kharkiv, Lviv e Odessa, e também por regiões muito mais expostas, como Kherson, Kupiansk, Staryi Saltiv e várias outras pequenas vilas, onde bombardeios e ataques com drones acontecem quase todos os dias.
Ao longo dessas viagens, conversei com centenas de pessoas. Políticos, autoridades, militares, integrantes da inteligência, diplomatas, jornalistas locais, professores e, principalmente, civis que tiveram suas vidas atravessadas pela guerra.
