Uma análise inédita de amostras coletadas no lado oculto da Lua revelou que a magnetosfera da Terra influencia diretamente a forma como o vento solar atinge a superfície lunar.
O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, mostra que os dois hemisférios da Lua são expostos a partículas solares com velocidades e energias diferentes, deixando marcas distintas preservadas no solo lunar.
A pesquisa foi realizada por cientistas liderados pelo Instituto de Geologia e Geofísica (IGG) da Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em inglês), com base no regolito trazido pela missão chinesa Chang’e-6.
Solo lunar registra bilhões de anos de bombardeio solar
O vento solar é um fluxo contínuo de partículas carregadas de alta velocidade emitidas pelo Sol que atinge diretamente a superfície da Lua há bilhões de anos;
Segundo os pesquisadores, o regolito, camada de solo e fragmentos rochosos que cobre a superfície lunar, funciona como um arquivo natural desse bombardeio, preservando elementos voláteis provenientes do vento solar, incluindo gases nobres, como:
Hélio;
Neônio;
Argônio;
Criptônio;
Xenônio.
Por serem quimicamente inertes, esses gases constituem marcadores altamente confiáveis para estudar como o vento solar foi incorporado ao solo lunar ao longo do tempo.
Amostras inéditas do lado oculto permitiram comparação direta
Até agora, a ausência de amostras do lado oculto da Lua impedia comparações diretas entre os efeitos do vento solar nos dois hemisférios.
