As discussões sobre mobilidade urbana costumam girar em torno de congestionamentos, emissões de carbono, infraestrutura viária ou inovação tecnológica. Mas existe um aspecto menos visível e talvez igualmente importante, que merece ganhar espaço nesse debate: a relação entre a forma como nos deslocamos e a nossa saúde mental.
A vida nas grandes cidades tem se tornado cada vez mais acelerada. O tempo gasto em deslocamentos longos, a imprevisibilidade do trânsito, a superlotação dos transportes públicos e a constante sensação de atraso contribuem para aumentar os níveis de estresse no cotidiano.
Não por acaso, a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 5,8% da população brasileira convive com transtornos de ansiedade, uma das maiores taxas do mundo. Já a depressão afeta aproximadamente 5,8% dos brasileiros, segundo dados do organismo. Nesse contexto, discutir mobilidade é também discutir qualidade de vida.
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Nos últimos anos, diversos estudos passaram a investigar como diferentes meios de transporte impactam o bem-estar das pessoas. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de East Anglia, no Reino Unido, analisou dados de quase 18 mil trabalhadores ao longo de 18 anos e concluiu que pessoas que substituíram o carro por deslocamentos ativos, como caminhar ou pedalar, apresentaram melhorias significativas na capacidade de concentração e redução nos níveis de estresse.
