Empresas que substituem profissionais em início de carreira por inteligência artificial (IA) podem comprometer a formação de talentos e perder uma vantagem competitiva no futuro. O alerta é do pesquisador Andrew McAfee, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que defende que a automação excessiva de funções de nível básico reduz as oportunidades de aprendizado prático e dificulta a preparação dos futuros líderes das organizações.
McAfee, que co-lidera a Iniciativa para a Economia Digital do MIT, afirma que os cargos de entrada cumprem um papel importante na formação de profissionais qualificados. Em entrevista concedida à Harvard Business Review em abril, ele disse que a experiência adquirida nessas funções é essencial para o desenvolvimento de habilidades mais complexas.
"De que outra forma as pessoas vão aprender a fazer o trabalho, senão por meio de aprendizado prático e treinamento em regime de aprendizagem? É assim que se aprende a realizar trabalhos intelectuais complexos: ajudando alguém que é bom nisso com as tarefas rotineiras. E quando automatizamos demais essas tarefas muito rapidamente, perdemos essa escada de aprendizado", afirmou.
Segundo o pesquisador, reduzir a contratação de jovens profissionais também significa abrir mão de uma geração mais familiarizada com ferramentas de IA.
