A escalada do conflito no Oriente Médio voltou a pressionar o preço do barril de petróleo, provocando oscilações que colocaram a commodity novamente no radar do mercado financeiro. A cotação, que girava em torno de US$ 70, voltou a se aproximar dos US$ 90 por barril, ampliando as incertezas entre investidores e agentes do setor.
Em entrevista ao CNN Money, o presidente-executivo da Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo), Telmo Ghiorzi, avaliou que o cenário é marcado por uma combinação de fatores que mantém os preços sob forte volatilidade.
Entre eles, citou a tentativa de ampliar a produção por meio do fracking nos Estados Unidos, a situação política da Venezuela e o agravamento das tensões envolvendo o Irã.
Para Ghiorzi, o fato de o conflito ocorrer na principal região produtora de petróleo do mundo potencializa seus efeitos. Segundo ele, cerca de 20 milhões de barris por dia, aproximadamente 20% da produção global, estimada em 100 milhões de barris diários, passam pelo Estreito de Hormuz.
“É impossível repor 20% da produção mundial no curto prazo”, afirmou.
O executivo lembrou ainda que os Houthis anunciaram a possibilidade de bloquear o estreito de Bab el-Mandeb, importante corredor marítimo para o comércio internacional de petróleo, o que agravaria ainda mais os desafios logísticos.
Segundo Ghiorzi, os estoques globais ainda não foram recompostos após as crises recentes.
