O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou no domingo (19) que não haverá mais eleições no país. A justificativa de Ortega, que está no comando do governo nicaraguense desde 2007, é evitar que a oposição chegue ao poder.
“Não haverá mais eleições aqui para que eles tentem tomar o governo e conquistar o poder”, disse Ortega em um discurso para marcar a comemoração da Revolução Sandinista de 1979, na qual Ortega ajudou a derrubar a brutal ditadura de Anastasio Somoza.
“Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram, nunca mais”, acrescentou ele, em sua primeira aparição pública em dois meses.
A última eleição da Nicarágua, em 2021, foi amplamente contestada depois que Ortega prendeu opositores e líderes empresariais e criminalizou manifestações de dissidência.
No ano passado, Ortega consolidou ainda mais seu poder por meio de uma série de reformas constitucionais que incluíram a nomeação de sua esposa, Rosario Murillo, como “copresidente” e a ampliação do mandato presidencial para seis anos.
Ele e sua esposa controlam praticamente todos os aspectos do governo, incluindo as forças armadas e o Judiciário.
O governo de Ortega e Murillo foi acusado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU de transformar o país “em um Estado autoritário” e de violar sistematicamente os direitos humanos.
