O setor de mineração apresentou ao Ministério da Fazenda uma proposta para adaptar ao Brasil o modelo canadense de flow-through shares, mecanismo que concede benefícios tributários a investidores que financiam empresas dedicadas à pesquisa mineral.
A proposta foi discutida em reunião entre representantes do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) e o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Em entrevista à CNN após o encontro, o presidente interino do instituto, Pablo Cesário, afirmou que a criação de instrumentos específicos de financiamento é necessária para destravar projetos e desenvolver um mercado de capitais voltado às chamadas junior mining companies.
As juniors são empresas de menor porte, normalmente concentradas nas etapas iniciais de pesquisa e exploração. Como ainda não produzem nem geram receita, essas companhias enfrentam dificuldade para obter empréstimos bancários e dependem principalmente de investidores dispostos a assumir o elevado risco geológico.
“O Brasil tem um mercado de capitais sofisticado e é um dos maiores do mundo. No entanto, ele não é capaz de financiar a mineração, porque a mineração tem características de intensidade de capital, risco e longo prazo que requerem prestadores de serviços especializados, com conhecimento de geologia, mas também um tratamento tributário específico”, disse Cesário.
