Com a tarifa de 25% prestes a entrar em vigor em 22 de julho e sem data marcada para uma nova rodada de conversas, ganha força um cenário que o governo já via como possível: o de que a negociação formal com os Estados Unidos só avance depois das eleições de outubro.
Para o Palácio do Planalto, Washington preferirá esperar a definição do cenário político brasileiro antes de decidir se retoma negociações de maior alcance. A percepção é que um eventual novo governo poderia aceitar condições diferentes das rejeitadas pela atual gestão.
Isso porque, para o Palácio do Planalto, o novo tarifaço tem motivações políticas. Na 5ª feira (16.jul.2026), o chanceler Mauro Vieira declarou que as exigências apresentadas por Washington eram “inaceitáveis” e sem contrapartidas para o Brasil.
Ao relembrar o início da disputa comercial, Vieira afirmou que a tarifa de 50% anunciada por Trump em julho de 2025 também foi influenciada pela política brasileira. A carta enviada pelo presidente norte-americano a Lula anunciando o tarifaço vinculava a sobretaxa ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante a audiência pública que o USTR promoveu para discutir a tarifa, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que a sobretaxa só fosse aplicada depois do pleito de outubro. No mesmo documento, disse estar confiante de que será eleito presidente e que, caso isso ocorra, colocará sua equipe de transição à disposição para negociar um amplo acordo comercial.
