Os preços do cacau voltaram a subir nas últimas semanas, mesmo diante de uma perspectiva de recuperação da oferta global na safra atual. O movimento reflete uma mudança na percepção do mercado, que passou a dar mais peso aos riscos climáticos para a temporada 2026/27 do que aos fundamentos da safra em andamento, com uma produção já aponta para uma recomposição dos estoques após anos de déficit.
Segundo Lucca Bezzon, analista de cacau da StoneX, o mercado convive hoje com dois fatores de sentidos opostos. De um lado, a safra 2025/26 apresenta resultados mais favoráveis nos principais países produtores, sobretudo no Oeste Africano. A expectativa é de aumento da produção e recuperação dos estoques globais, cenário reforçado pela revisão de 260 mil toneladas para cima na estimativa da safra da Costa do Marfim.
De outro, investidores voltaram a incorporar um prêmio de risco às cotações em razão das incertezas para a próxima temporada. “O mercado está dando mais importância no momento para o próximo ciclo, mais do que a gente está vendo hoje, já que esse saldo que a gente está vendo agora já se concretizou, o mercado já precificou isso”, afirmou o analista.
A preocupação está concentrada principalmente nas condições climáticas do Oeste Africano, responsável pela maior parte da produção mundial de cacau. Em junho, Costa do Marfim e Gana registraram volumes de chuva acima do normal, o que elevou os temores em relação ao desenvolvimento da próxima safra.
