Há na cartilha de La Masia, o famoso centro de formação de jovens talentos do Barcelona, premissas consideradas inegociáveis. A maior delas, sem dúvida, envolve a posse de bola.
A regra por lá é aparentemente simples: o elemento central do futebol não deve ser lançado a frente sem critério. O time avança em blocos, sempre mantendo as linhas e os jogadores próximos e, com isso, controla a todo o instante o ritmo do jogo.
Lionel Messi conhece como poucos a escola que fez do clube catalão uma referência, com times históricos, como o do tiki-taka liderado por ele em campo e comandado por Pep Guardiola entre 2008 e 2012, vencendo 13 títulos.
Formado pelo Barça desde os 13 anos, quando encontrou na Catalunha o tratamento para uma deficiência de crescimento, com aplicações diárias de hormônio de crescimento sintético, mantido por vários anos até chegar ao profissional, Messi aprendeu como poucos os segredos da escola que liderou ao lado de Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Sergio Busquets, Jordi Alba, Cesc Fábregas e tantos outros.
Neste domingo, 19, no MetLife Stadium, naquele que pode ser considerado o seu “último tango” em Copas do Mundo, acabou por provar do próprio veneno.
“Ilhado” em meio ao exércio vermelho de espanhóis, que com menos de dez minutos de jogo já tinham exatamente o dobro do número de passes trocados pelos argentinos, o camisa 10 parecia assistir, como um espectador de luxo, ao sucesso da escola que o fez por tantas vezes o Bola de Ouro.
