O smartphone continua na mão minutos depois de a pessoa decidir, mentalmente, que já é hora de guardá-lo. Uma notícia ruim leva a outra, um post alarmante puxa o próximo, e o que começou como uma checagem rápida de atualizações se transforma em uma sessão prolongada de rolagem por conteúdos negativos.
Esse comportamento tem nome: doomscrolling, termo que une as palavras em inglês “doom”, associada a catástrofe ou fatalidade, e “scrolling”, o ato de deslizar o dedo pela tela. Ele descreve o hábito de consumir, de forma repetitiva e muitas vezes involuntária, notícias e publicações que despertam desconforto, medo ou angústia, mesmo quando esse consumo já não traz nenhuma informação nova ou útil.
Um termo que ganhou força durante a pandemia
A expressão começou a circular ainda antes da pandemia de Covid-19, mas foi a partir de 2020 que se popularizou de forma definitiva, à medida que boa parte do mundo passou a acompanhar em tempo real números de contágios, mortes e medidas de isolamento.
O cenário de incerteza generalizada tornou a rolagem contínua por atualizações quase uma rotina, e o termo chegou a figurar entre as palavras do ano em dicionários de língua inglesa naquele período. Anos depois, mesmo com a pandemia superada, o padrão de comportamento permanece: conflitos internacionais, crises econômicas e catástrofes climáticas continuam alimentando o mesmo ciclo de consumo compulsivo de más notícias.
