O Brasil enfrenta um cenário de “fadiga fiscal”, situação em que o país perde a capacidade de estabilizar o crescimento da dívida pública mesmo com a geração de caixa positivo. Segundo estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, a dívida pública federal deve ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035. A avaliação é do analista de Economia da CNN Gabriel Monteiro.
De acordo com Gabriel, o país precisaria fechar cada ano com um superávit equivalente a 2% do PIB, o que representa entre R$ 250 bilhões e R$ 300 bilhões, para ao menos estancar o crescimento da dívida.
“A dívida vai continuar alta, mas a gente vai conseguir estancar o crescimento da dívida quando atingirmos estes 2%”, afirmou.
O levantamento aponta que seria necessário um corte de R$ 330 bilhões para estabilizar as contas públicas. No entanto, o orçamento discricionário, aquele sobre o qual o governo tem liberdade de ajuste, soma apenas R$ 250 bilhões.
“Mesmo que o governo queira, de uma hora para outra, cortar todos os gastos previstos por ano, mesmo assim a dívida vai continuar crescendo no Brasil”, explicou Gabriel Monteiro. Diante disso, ele destacou que não há espaço no orçamento discricionário para realizar o ajuste necessário.
Gastos obrigatórios no centro do problema
A solução, segundo o analista, passa necessariamente pelos gastos obrigatórios, o que exige uma ação coordenada entre o Executivo e o Legislativo.
