Embora a insulina seja mais conhecida por seu papel na regulação da glicose no sangue, um número crescente de pesquisas tem apontado para o potencial do hormônio no tratamento de córneas lesionadas. Uma revisão publicada na revista científica Journal of Ocular Pharmacology and Therapeutics analisou estudos publicados na última década para avaliar a eficácia do colírio feito com a substância.
A análise concluiu que a insulina apresentou resultados promissores na cicatrização da córnea, na regeneração nervosa ocular e na recuperação de defeitos epiteliais persistentes –lesões que simplesmente não fecham sozinhas e desafiam os tratamentos convencionais. A técnica faz sentido do ponto de vista biológico. “A insulina não é apenas um hormônio metabólico. Ela também atua como fator trófico, estimulando migração e proliferação celular”, explica o oftalmologista Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein.
ESTUDO NO CANADÁ
Um trabalho divulgado em dezembro no Canadian Journal of Ophthalmology reforça o interesse clínico na terapia. Pesquisadores analisaram os olhos de 28 pessoas com ceratopatia neurotrófica, uma doença rara e degenerativa causada por danos nos nervos da córnea, em que a perda de sensibilidade impede a cicatrização adequada do tecido, favorecendo ulcerações, perfurações e perda de visão.
Entre os casos moderados e graves, 78,3% apresentaram cicatrização completa das lesões depois do uso do colírio de insulina.
