Caricatura mostra a morte recolhendo suas vítimas durante "O Grande Fedor" de Londres DW/public domain É verão em Londres, e o rio fede. Tanto que a população mal conseguem respirar. Quem pode, foge da cidade. Os que ficam embebem as cortinas em cloreto de cal para afastar os maus odores; ao sair às ruas, pressionam lenços contra o nariz. Nas palavras de um jornal local, "quem já respirou esse mau cheiro uma vez nunca o esquecerá e pode se considerar feliz se sobreviver a ele". O ano é 1858. Há semanas, as temperaturas permanecem acima dos 30 ºC, e nenhuma gota de chuva refresca a cidade superaquecida. Não há água vinda do céu para levar embora a sujeira do rio Tâmisa. A artéria vital de Londres transformou-se em uma cloaca, uma mistura turva e lamacenta de excrementos humanos e animais, todo tipo de lixo e resíduos industriais das fábricas. Com o calor recorde, o nível da água caiu drasticamente; fezes e resíduos em decomposição, expostos ao sol implacável, fermentam nas margens e envolvem a cidade em uma nuvem sufocante. Europa registra 10 mil mortes a mais durante pico da onda de calor 'Um canal de esgoto mortal' Entre 1800 e 1850, a população de Londres dobrou, chegando a 2,5 milhões de habitantes. Na época, a capital do Império Britânico era a maior metrópole do mundo. Mas o sistema de esgoto, ultrapassado e sobrecarregado, não conseguia acompanhar o crescimento populacional. Seus canos despejavam toda a sujeira diretamente no Tâmisa.
Como 'O Grande Fedor' impulsionou uma revolução do saneamento em Londres
