Por Juliane Fonseca de Oliveira (Fiocruz), Manoel Barral-Netto (Fiocruz) e Viviane Boaventura (UFBA)
A pandemia de covid-19 e os alertas sobre ameaças virais como ebola, nipah e hantavírus reforçam uma preocupação global e recorrente: como saberemos quando uma nova doença começará a se espalhar? No Brasil, onde surtos de enfermidades como dengue, chikungunya e outras infecções são frequentes, essa capacidade pode ser decisiva para reduzir impactos sobre a população e os serviços de saúde.
Em um estudo recente, avaliamos o desempenho do ÆSOP (Early Alert System for Outbreaks with Pandemic Potential ou Sistema de Antecipação de Surtos com Potencial Pandêmico), atualmente em implementação pelo Ministério da Saúde. O sistema utiliza dados da APS (Atenção Primária à Saúde) do SUS (Sistema Único de Saúde) e de vendas de MIP (Medicamentos Isentos de Prescrição), como descongestionantes nasais, para identificar sinais precoces de surtos.
A atenção primária é a principal porta de entrada do SUS. Desenvolvida sobretudo nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), reúne ações de promoção da saúde, prevenção de doenças, diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo da população. Seu principal modelo de organização é a ESF (Estratégia Saúde da Família), na qual equipes multiprofissionais acompanham as famílias de um território definido.
