Memorizar números de telefone, manter certidões de nascimento em mãos, enfatizar para as crianças que não devem abrir a porta para ninguém. Isso é apenas parte de um plano de emergência que milhares de famílias prepararam.
São imigrantes que, em meio às duras políticas do governo Trump, são forçados a estar preparados caso o ICE, Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, bata em sua porta. Mas a decisão mais difícil é a que segue: permanecer nos Estados Unidos ou deixar o país?
Em junho de 2026, pelo menos 500 bebês e crianças pequenas haviam sido detidos por agentes do ICE, de acordo com um novo estudo do The Marshall Project e da MS NOW.
Em abril de 2026, mais de 60 mil pessoas estavam detidas em centros de imigração sob custódia da agência. Dessas, 70,8% não tinham antecedentes criminais e muitas tinham infrações menores, como multas de trânsito.
Esses números refletem duas realidades: pais imigrantes não documentados ou, em muitos casos, residentes legais, que são detidos e levados sob custódia do ICE sem seus filhos (que podem ou não ser cidadãos americanos), presos em um limbo jurídico quanto a quem poderá cuidar deles; e, por outro lado, pais detidos que, juntamente com seus filhos, são transferidos para centros de detenção adaptados para eles.
Em um artigo de fevereiro, publicado pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA na revista X, é mencionada uma denúncia sobre a saúde de uma criança sob custódia do ICE.
