Isso mesmo. Enquanto o defunto parece conformado, acondicionado na mala para a qual (não) se preparou a vida inteira, os Malas começam a chegar aos velórios. Eis os tipos mais comuns:
1.O Mala Filósofo
De repente, não mais que de repente, o Mala, que nunca foi chegado a pensar, principia a elaborar frases reflexivas, tão profundas quanto o soluço que gostaria que viesse e não vem. E começa a soltar clichês do tipo daqueles que abarrotam os livros de autoajuda: “ Estamos aqui de passagem” “A vida é um sopro“
Até concluir: “ Morreu tão cedo, aos 98 anos. É por isso que não canso de repetir: temos que viver que cada dia como se fosse o último. ”
2.O Mala Curioso
A idade do morto é o que menos interessa agora, mas a pergunta é indefectível nos velórios e circula de Mala para Mala: “Quantos anos tinha? ”
Para evitar essa pergunta irritante a resposta deveria estar visível no livro de assinaturas, por exemplo, o que pouparia tanto chato perguntando a mesma coisa.
(Obs., Mas não bastaria constar o ano de nascimento. O Mala, por definição, não gosta de calcular.)
3. O Mala Médico (ou enfermeiro)
Depois de tentar se inteirar, em vão (já que, na maioria das vezes, nem a própria família tem certeza) da causa da morte o Mala Médico se dispõe a falar sobre as doenças que conhece: epidemias, contágios, remédios etc. Quando a fala se torna interminável a única solução para quem está ouvindo é dizer: “Parece que a família acha que foi vírus ou bactéria. ”
Pronto.
