O Brasil deveria ter apresentado uma defesa técnica robusta frente ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos na última quarta-feira (15). É o que acredita Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, advogado e conselheiro em negociação internacional. Em entrevista ao WW deste sábado (18), Amaral analisou os componentes políticos e técnicos da nova rodada de tarifas aplicadas a produtos brasileiros pelos EUA.
Investigação da Seção 301
“A tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros decorre de investigações conduzidas com base na chamada ‘Seção 301’, que apura práticas predatórias e anticomerciais contra os EUA”, explicou o advogado. Segundo Amaral, a investigação foi iniciada a partir de reclamações de associações e entidades norte-americanas de setores, como a indústria farmacêutica, de etanol e de carnes, que acionaram o escritório do representante comercial dos Estados Unidos.
O especialista explicou que a investigação possui dois componentes distintos, técnico e político. “O Brasil deveria ter apresentado defesas robustas do ponto de vista técnico”, afirmou Amaral, destacando que a fase inicial do processo envolve a análise das práticas comerciais do governo brasileiro pelo governo norte-americano.
Componente político da decisão final
Além caráter técnico da investigação, Amaral enfatizou que a decisão final sobre a aplicação das tarifas é essencialmente política, uma vez que cabe à Casa Branca a palavra final.
