O Japão pode ter sua primeira mulher como primeira-ministra, mas as tentativas de seu governo de evitar uma crise de sucessão real estão tornando cada vez menores as chances de uma mulher assumir o trono imperial.
Com apenas três herdeiros elegíveis para o Trono do Crisântemo, sendo que dois deles têm 60 anos ou mais, a família imperial enfrenta uma crise de sucessão.
A monarquia japonesa manteve, por séculos, uma sucessão exclusivamente masculina, o que é coerente com uma sociedade profundamente patriarcal, em que os homens dominam outras esferas da vida, como os negócios e a política.
Agora, essa regra passou a ameaçar a própria sobrevivência da monarquia mais antiga do mundo, que, nas últimas décadas, gerou mais filhas do que filhos.
Para resolver a escassez de herdeiros, ministros do governo propuseram reintegrar antigos ramos da família real, ampliando assim o grupo de sucessores do sexo masculino. As mudanças aguardam aprovação parlamentar.
No entanto, isso levou estudiosos, políticos da oposição e alguns cidadãos a questionar: por que não permitir simplesmente que mulheres assumam o trono?
“Sem base racional”
“É difícil encontrar qualquer base racional para recusar a possibilidade de uma mulher se tornar imperatriz”, disse o professor Makoto Okawa, que estuda a linhagem imperial na Universidade Chuo, em Tóquio.
