Por Thiago Jorge (Hospital Alemão Oswaldo Cruz)
Durante muito tempo, a história dos avanços contra o câncer foi marcada e celebrada pelo anúncio de uma grande descoberta, como um novo remédio, uma nova tecnologia ou um estudo capaz de mudar o tratamento de determinado tumor. Mas a principal mensagem da 61ª reunião anual da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), realizada em maio de 2026, em Chicago (EUA), foi outra. Em vez de uma única descoberta, diferentes frentes começaram a produzir resultados relevantes ao mesmo tempo.
Essa mudança ficou evidente ao longo de toda a conferência. Um dos momentos mais marcantes se deu durante a apresentação dos resultados do estudo RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute, nos Estados Unidos, quando uma plateia de milhares de médicos se levantou para aplaudir.
A terapia que emocionou a audiência foi o daraxonrasibe, um novo tratamento contra o câncer de pâncreas, doença cuja sobrevida em 5 anos é de só cerca de 3% e que sempre foi considerada uma das mais frustrantes quanto à eficácia de novas drogas. Os dados do estudo mostraram que o medicamento quase dobrou a sobrevida desses pacientes em comparação com a quimioterapia.
O medicamento que rompeu a habitual sisudez dos congressos ataca um gene chamado RAS, descrito pela 1ª vez em tumores de ratos nos anos 1960 e identificado em câncer humano em 1982, hoje conhecido como possível alvo em quase 1/3 dos tumores existentes.
