É até compreensível que uma parcela da população de São Luís, especialmente a classe média que experimentou avenidas revitalizadas, rotatórias ajardinadas e uma cidade mais agradável para quem circula de automóvel, tenha relevado sucessivas denúncias envolvendo o ex-prefeito Eduardo Braide.
Foi assim com o caso da chamada "Máfia de Anajatuba", que alcançou repercussão no programa Fantástico, da TV Globo. Foi assim com o rumoroso episódio do automóvel Clio pertencente à família do então prefeito, encontrado com cerca de R$ 1 milhão em espécie no porta-malas. Foi assim com a contratação da desconhecida entidade Juju e Cacaia para administrar contratos milionários da cultura municipal. Foi assim diante das denúncias formuladas pelo empresário Antônio Calisto Vieira Neto. Durante seis anos, vieram vídeos nas redes sociais, justificativas e negativas. E, para muitos, bastaram.
A política brasileira conhece esse fenômeno. Quando a gestão entrega resultados percebidos no cotidiano, parte do eleitorado tende a relativizar suspeitas, aguardando que a Justiça decida ou simplesmente preferindo acreditar na versão de quem governa.
Mas, e agora? Estamos falando da morte de crianças.
