Uma importante achado na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional traz novos elementos para a compreensão da recepção contemporânea de Úrsula, romance publicado em 1859 por Maria Firmina dos Reis e hoje reconhecido como um marco da literatura brasileira. Trata-se de um anúncio publicada na edição nº 61 do Jornal do Commercio, de São Luís, em 4 de agosto de 1860.
O documento possui especial relevância porque apresenta um dado até agora pouco observado pela historiografia: ao comentar a obra, o periódico identifica explicitamente sua autora como “Sra. D. Maria Firmina dos Reis”. Esse detalhe diferencia a notícia dos anúncios anteriormente localizados, nos quais o romance aparecia associado apenas à assinatura “por uma Maranhense”, expressão utilizada na primeira edição do livro.
Nas últimas décadas, a trajetória de Maria Firmina dos Reis passou por um intenso processo de redescoberta. Considerada a primeira romancista brasileira, maranhense,ludovicense, mulher negra, professora e autora de uma obra com forte crítica à escravidão, ela se tornou objeto de numerosos estudos acadêmicos, reedições e pesquisas biográficas. Ainda assim, permanece difundida no senso comum a ideia de que sua produção teria sido ignorada ou pouco reconhecida em seu próprio tempo.
Pesquisas recentes vêm demonstrando que essa interpretação precisa ser revista.
