No crepúsculo de uma tarde histórica, sob o céu de São Luís, o Estádio Castelão tornou-se um imenso cenáculo. Diante de milhares de fiéis reunidos para a Solenidade de Corpus Christi em 4 de junho de 2026, o arcebispo Dom Gilberto Pastana proferiu palavras que ecoam como um diagnóstico espiritual do nosso tempo: “A maior tragédia de hoje não é a evolução das máquinas, mas o esfriamento do coração humano”.
Essa advertência pastoral não é um grito contra o progresso, mas um chamado à vigilância. Em um mundo onde a inteligência artificial molda desde nossas escolhas de consumo até os rumos da economia global, a Igreja nos convida a olhar para além do silício e dos códigos, redescobrindo o que nos torna essencialmente humanos.
A Inteligência Artificial é, sem dúvida, um fruto magnífico da inteligência que Deus concedeu ao ser humano. Ela reflete a nossa capacidade de submeter a criação e buscar soluções. Contudo, a relação entre a IA e a condição humana atravessa uma fronteira perigosa quando a técnica deixa de ser ferramenta para se tornar medida de todas as coisas.
Como bem ponderou o Papa Leão XIV em sua recente e profética encíclica sobre o tema, a IA precisa ser “desarmada”. O Pontífice alerta que o maior risco não reside na capacidade de processamento das máquinas, mas em uma civilização que substitua a ética pela eficiência. A IA, por mais sofisticada que seja, é desprovida de consciência moral, de amor, de compaixão e de dimensão espiritual.
