A sensação de formigamento ao cruzar as pernas ou dormir sobre o braço não é provocada por formigas ou por estagnação sanguínea isolada, mas pela interrupção temporária de energia nos nervos periféricos.
Quando o peso do corpo exerce pressão sobre uma região anatômica, ocorre a compressão do vaso sanguíneo que irriga a estrutura nervosa. Sem o aporte adequado de oxigênio e glicose, a célula nervosa interrompe a produção de energia, fazendo falhar a bomba elétrica responsável pela transmissão de impulsos ao cérebro.
Como resultado, o cérebro deixa de receber sinais daquela área, gerando a percepção de dormência ou anestesia no membro.
A mecânica da dormência e o disparo de impulsos
O processo caracterizado pelas “agulhadas” inicia-se no momento em que a postura é corrigida e a pressão mecânica é removida. Com a descompressão, o fluxo sanguíneo é restabelecido e ocorre a entrada de cálcio na célula nervosa.
Esse fluxo iônico deixa o nervo temporariamente hiperestimulado, fazendo com que ele passe a disparar impulsos elétricos de forma autônoma e desordenada, sem que haja estímulo externo real.
O cérebro interpreta esses sinais desestruturados como formigamento ou picadas na pele. Na perna cruzada, o sintoma manifesta-se comumente no peito do pé devido à compressão do nervo fibular, localizado na lateral do joelho.
O choque no cotovelo e o nervo ulnar
Mecanismo análogo explica a sensação de choque elétrico ao impactar a região posterior do cotovelo.
