Pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) investigam a interação entre os microrganismos do intestino (microbiota) e a genética do gado Nelore, raça de corte mais criada no Brasil. O objetivo é criar estratégias para reduzir a emissão de metano, importante gás de efeito estufa, e melhorar o aproveitamento da ração pelos animais.
Alguns dos principais resultados da pesquisa, apoiada pela Fapesp, foram apresentados pela pesquisadora Luciana Regitano, da Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP). A palestra foi realizada em 28 de outubro, durante a Fapesp Week Países Baixos.
Em entrevista à Agência Fapesp, Regitano explicou que a equipe identificou pontos-chave na regulação da digestão do gado e na emissão de metano. “Nossos dados mostram como a variação na expressão dos genes microbianos se conecta diretamente a dois fatores de grande interesse econômico e ambiental: o volume de metano gerado e a eficiência no aproveitamento da ração.”
A pecuária é uma das principais fontes de gases de efeito estufa. O metano é produzido durante a digestão natural dos bovinos, processo conhecido popularmente como “arroto do boi”. No rúmen, a maior câmara do estômago do animal, microrganismos quebram as fibras dos vegetais e, durante esse trabalho, produzem o gás. Além do impacto climático, essa produção consome de 2% a 12% de toda a energia que o boi obteria da ração.
