Por Gabriel Andrade Costa*
Na noite em que perdeu a eleição, o candidato derrotado foi alvo de uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes. Em menos de 48 horas, sua campanha passou a ser investigada por suspeita de dinheiro estrangeiro, e um senador eleito leu, no perfil do partido vencedor, que seria "o próximo".
Processos independentes podem produzir medidas legítimas na mesma semana, e a coincidência não prova nada. O que separa a responsabilização da perseguição são critérios. E é com eles que os dias seguintes à eleição precisam ser examinados.
Decisões, pedidos e provocações
Lula venceu Flávio Bolsonaro em 25 de outubro, com 51,79% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Logo depois do resultado, a pedido da Polícia Federal (PF), o ministro Alexandre de Moraes determinou, num inquérito sigiloso sobre suposta lavagem de dinheiro em que também é investigado o advogado Willer Tomaz, que o senador entregasse os passaportes, não deixasse o país e não falasse com o outro investigado. O prazo venceu em 27 de outubro sem a entrega, a PF cancelou os documentos, e Flávio chegou a Miami no dia 28.
A PF diz que a ordem não autorizava sua prisão. Também em 27 de outubro, o ministro Flávio Dino mandou a corporação investigar suspeitas de apoio estrangeiro à campanha derrotada, entre elas a de que empresários teriam captado recursos em nome da Rockbridge Network, grupo norte-americano cofundado por J.D. Vance.
