A decisão do Banco Central de interromper o ciclo de cortes da taxa Selic foi avaliada positivamente por Gustavo Loyola, que considerou a postura da autoridade monetária correta e bastante cautelosa. Segundo ele, o cenário macroeconômico se deteriorou de forma significativa, justificando a medida.
O que motivou a decisão, na avaliação de Loyola, foi essencialmente uma piora das expectativas macroeconômicas, com destaque para o câmbio e para a inflação.
“O que houve foi basicamente uma piora das expectativas, uma piora do cenário macroeconômico, principalmente do câmbio, e uma piora das expectativas inflacionárias, já refletida inclusive no Boletim Focus”, afirmou. Por isso, segundo ele, a grande maioria dos analistas já esperava que o Banco Central interrompesse a queda dos juros.
Loyola destacou ainda que o cenário atual apresenta uma assimetria para cima nos riscos inflacionários, o que tornava inviável qualquer sinalização mais clara sobre os próximos passos da política monetária. “O Banco Central não tem condição de sinalizar muita coisa para frente, porque o cenário é bastante incerto”, disse.
Ele acrescentou que a instituição deixou claro apenas que enxerga compatibilidade entre o nível atual dos juros e o estado das expectativas e das projeções.
Risco de desancoragem das expectativas
Questionado sobre se havia espaço para que a Selic continuasse caindo apesar da deterioração das expectativas, Loyola foi categórico ao afirmar que não.
