Se o governo brasileiro não tivesse atuado para limitar o repasse do choque internacional de preços do petróleo provocado pela guerra no Irã, iniciada em 28 fim de fevereiro, os combustíveis poderiam estar custando cerca do dobro do valor atualmente cobrado nas bombas, segundo representantes do setor ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, parceira de conteúdo do CNN Money.
A avaliação é de que a estratégia adotada combinou aumento do refino doméstico, contenção de reajustes nas refinarias, desoneração tributária e um pacote de subvenções, mecanismos que seguraram a inflação no curto prazo, mas geraram forte distorção de preços e reduziram a competitividade de importadores e refinarias privadas.
“Grosso modo, o preço do diesel hoje estaria o dobro se não fosse a subvenção do governo. A Petrobras está vendendo o combustível pela metade do preço no mercado internacional e está abrindo mão de receita”, afirmou o presidente da Refina Brasil, associação das refinarias privadas, Evaristo Pinheiro.
Dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) mostram a dimensão da diferença. No diesel, o preço médio da Petrobras nas refinarias hoje é de R$ 3,57 por litro, ante R$ 7,497 no mercado internacional.
Segundo a associação, isso significa que a Petrobras está vendendo o produto a 47% do preço internacional.
