O dinheiro que o governo Lula pretende destinar à tarifa zero no transporte público aos sábados, domingos e feriados pode não cobrir os custos da medida. A proposta prevê cerca de R$ 12 bilhões por ano, mas empresas de ônibus e analistas do mercado financeiro estimam que a gratuidade exigiria de R$ 16 bilhões a R$ 20,8 bilhões.
A proposta de emenda à Constituição (PEC) chegou ao Congresso em 21 de outubro. O texto obriga o governo a reservar 26,8% das emendas parlamentares de execução obrigatória para financiar a gratuidade do transporte coletivo urbano. A aprovação está entre as prioridades do Palácio do Planalto até o fim do ano.
A conta parte de R$ 44,8 bilhões em emendas obrigatórias previstas para 2027. Segundo o governo, a medida não aumenta a despesa primária nem compromete a meta fiscal, porque apenas redireciona recursos já destinados aos parlamentares.
Assessor especial da Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, Giancarlo Moreira Gama participou da elaboração do programa de governo de Lula. De acordo com ele, a estimativa inicial para os fins de semana chegou a R$ 11 bilhões, o que deixaria até uma sobra em relação ao valor da PEC.
Gama calcula que o sistema inteiro custa perto de R$ 70 bilhões por ano, com ônibus em circulação todos os dias. Como a quilometragem rodada aos sábados e domingos é menor que a dos dias úteis, a verba prevista seria suficiente, disse o assessor ao jornal Folha de S.
