Sempre que Jerkis Mahamba ouve uma criança chorar na ala de Ebola em Butembo, no leste da República Democrática do Congo, ele veste o equipamento de proteção e corre para o lado dela.
Ele sabe muito bem o que elas estão passando.
O próprio Mahamba contraiu a doença altamente contagiosa em setembro e se recuperou após 18 dias de tratamento no mesmo centro.
Sua provação lhe conferiu imunidade contra a cepa do vírus que circula pelo Congo, o que significa que ele pode trabalhar com pacientes jovens quando os próprios pais não têm permissão para tocá-los.
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Às vezes, as crianças precisam de um abraço.
Às vezes, querem ser embaladas para voltar a dormir.
Às vezes, querem conversar.
O Congo registrou mais de 10 mil casos de Ebola desde que o surto foi declarado, em maio, além de mais de 5.100 mortes, tornando-se o segundo maior surto já registrado.
“Eu também passei por isso”
“Eu me apresento e digo a elas: ‘Eu também passei por isso’. Peço que não percam a esperança”, disse o jovem de 29 anos à agência de notícias Reuters no hospital do bairro de Kitatumba, na cidade.
Ele se lembra de como estava: vomitando, recusando-se a comer, lutando para tomar os remédios.
