O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na reunião de novembro, em decisão unânime. Para o economista Leandro Padula, do ASA, uma combinação de fatores internos e externos levou o Banco Central a optar pela cautela e interromper o ciclo de cortes de juros.
Padula destacou que, entre as reuniões do Copom, houve uma piora do cenário externo, uma deterioração significativa das expectativas de inflação no relatório Focus e uma depreciação da taxa de câmbio.
“Todos esses fatores em conjunto fizeram com que a projeção da inflação no horizonte relevante chegasse a 3,5, uma piora significativa em relação ao último Copom”, afirmou.
O economista ressaltou que o aumento do preço do petróleo foi um elemento que “de fato atrapalhou” nessa última decisão do Copom.
Segundo Padula, o Banco Central mencionou explicitamente a situação externa e o impacto do petróleo nas projeções de preços administrados, com efeitos que se estendem até 2028.
“No início da guerra, esperava-se que ela não fosse durar tanto tempo. A gente não tem muita clareza de quando isso vai terminar, e aos poucos isso vai entrando dentro do cenário do Banco Central, sendo uma restrição a mais para retomar uma eventual flexibilização de corte de juros”, explicou.
Expectativas de inflação e riscos domésticos
Parte da piora das expectativas, especialmente para 2027, está relacionada a avanços de projetos no Congresso.
