Os físicos passaram mais de quatro décadas atrás de uma transformação que a natureza quase nunca realiza. A previsão é de aproximadamente uma ocorrência a cada dez bilhões de partículas de um tipo específico. Em 3 de novembro de 2026, a equipe internacional do LHCb, no CERN, anunciou evidência desse processo. O entusiasmo tem um bom motivo: medir algo tão raro pode ajudar a procurar partículas que nossos aceleradores ainda não conseguem produzir.
A partícula nessa história é o méson B0, também chamado Bd. Ele reúne um quark e um antiquark das famílias down e beauty. Produzido nas colisões do Grande Colisor de Hádrons, dura só cerca de um trilionésimo e meio de segundo antes de se transformar em outras partículas. Os pesquisadores estavam atrás de um desfecho específico: o surgimento de um múon e um antimúon. Os múons são parentes mais pesados dos elétrons, com várias propriedades semelhantes.
Esse desfecho já estava nas contas do Modelo Padrão, a teoria que descreve as partículas elementares conhecidas e suas interações eletromagnéticas, fortes e fracas. Só que o processo depende de contribuições quânticas indiretas e é fortemente limitado pelas regras da teoria. Para encontrá-lo, é preciso reunir uma quantidade enorme de dados e separar o sinal de outros processos que podem se passar por ele.
É justamente essa raridade que interessa.
Zeptoverso e o sinal raríssimo que empolgou os físicos do LHC
