Lilica, uma vira-lata caramelo, foi abandonada filhote em um ferro-velho em São Carlos, interior de São Paulo. No local, encontrou abrigo e conviveu com um cachorro, um gato, um galo, uma galinha e uma mula.
O que começou como sobrevivência se transformou em um exemplo de solidariedade diária. Todas as noites, a cadela percorria quatro quilômetros para buscar comida e dividir com seus companheiros de ferro-velho.
A professora Lúcia Helena de Souza percebeu o comportamento da cachorrinha. Lilica comia em sua casa, mas não ia embora, ficando atenta ao alimento que sobrava. Lúcia entendeu que a cadela queria levar a comida restante.
A partir daquele dia, a professora passou a preparar uma marmita, amarrando a sacola para que Lilica pudesse carregá-la. O acordo se repetia diariamente. Por volta das 21h30, Lúcia preparava a refeição e Lilica pegava a sacola.
De lá, Lilica seguia de volta ao ferro-velho, enfrentando o trajeto noturno pela lateral de uma estrada movimentada, um percurso de dois quilômetros. No total, a cadela percorria quatro quilômetros diários.
Ao chegar, Neile Vânia Antonio, que abrigava os animais, recebia a sacola e distribuía o alimento entre todos. O que sobrava era guardado para a manhã seguinte. A rotina era diária, garantindo a alimentação dos bichos.
A regularidade do hábito e o cuidado da cadela com os outros animais chamou a atenção de Neile e da professora Lúcia.
