Domingo, 08 de novembro de 2026 Atualizado em tempo real
Publicidade
Faça sua inscrição no site oficial da Corrida!
← Brasil
Brasil 08/11/2026 às 11:20

Zélia Duncan fala sobre vitória de Lula, derrota de Flávio e polarização

Zélia Duncan fala sobre vitória de Lula, derrota de Flávio e polarização

Há vozes que a gente reconhece antes mesmo de terminar o primeiro verso. A de Zélia Duncan é assim. Mas houve um tempo em que ela sentia vergonha justamente dessa voz que viria a marcar tanta gente.

Nascida em Niterói e criada em Brasília, Zélia encontrou no palco um lugar para ser quem era. De “Catedral” a “Alma”, construiu uma história que atravessa o pop, o rock, o samba e a memória afetiva de diferentes gerações. E fez das palavras também um lugar de descoberta: nas composições, nas crônicas e no livro “Benditas coisas que eu não sei”.

Essa voz também ocupa a vida pública. Zélia se posicionou em defesa da democracia, enfrentou o discurso da extrema-direita e, durante a pandemia, usou as redes para acolher as pessoas e denunciar o descaso com a vida. Uma artista que leva para a conversa com o país suas convicções, sua indignação e sua sensibilidade.

Agora, celebrando 45 anos de carreira com o disco “Agudo Grave”, ela continua procurando novas maneiras de cantar e de olhar para a vida. Hoje, o Que Dia recebe uma artista que tem muito a contar, e ainda, espero, muito a descobrir pelo bem do Brasil. Zélia Duncan, que alegria ter você aqui.

Coluna - Antes de começarmos, conversávamos sobre o movimento dos estudantes de Niterói no segundo turno. Como foi ver aquela mobilização na sua cidade?

Zélia Duncan - No dia 5 de outubro, os estudantes da UFF fizeram o que virou a primeira manifestação de uma virada. Foi uma coisa muito grande e tão verdadeira. Quando eu vi, fiquei muito comovida, porque a gente ainda estava em choque com o primeiro turno, com medo daquilo tudo, vendo o bafo chegar perto da gente. Aquelas pessoas tão jovens fazendo aquilo deram uma esperança forte e verdadeira. Despertou em mim um bairrismo gostoso, sem exageros, um carinho pela minha terra.

Coluna - Zélia, eu estava ouvindo “Catedral” para preparar a nossa conversa e fiquei muito tocado. É uma música linda, que dá uma sensação de solidão, mas também de abrigo dentro da gente. O que você encontrou nela quando a ouviu pela primeira vez, e o que sente hoje ao cantá-la, depois de tantos anos e de ela ter passado a fazer parte da vida de tanta gente?

Zélia Duncan - Ela é extremamente confessional, Matheus. Eu cumpri um contrato em Abu Dhabi, quando tinha 21 anos. Fui cantar no Hotel Méridien. Tempos depois, quando entrei para a Warner e ia começar a gravar o álbum, tinha acabado de assumir o Duncan. Minha avó era Zélia Duncan, ela é que era a verdadeira. Eu já era Zélia por causa dela e peguei o Duncan também.

Foi tudo nessa hora. Beto Boaventura, que era o presidente da Warner, perguntou se eu conhecia Tanita Tikaram. Falei: “Adoro”. “Cathedral Song” está no disco dela. Só que fiz uma versão bastante livre. Meu parceiro Christiaan assina comigo porque me deu apoio moral e uma palavra. A música já estava toda pronta, faltava uma palavra, e a conversa com ele me deu essa palavra.

Abandonei a versão original, que é bastante subjetiva, e coloquei uma experiência mais pessoal, que também tem a sua subjetividade. Estou falando do deserto de fora e do deserto de dentro. Fiz essa analogia meio silenciosa, ninguém sabia dessa história.

Quando a música estourou, as pessoas começaram a me conhecer. Havia uma dúvida se era homem ou mulher na gravação. Ligavam para a rádio perguntando: “Quem é esse cara?”. Isso já me divertia desde aquele tempo.

As pessoas perguntam se não me canso de cantar. Você não pode se cansar de uma coisa que, primeiro, abriu uma porta para tantas outras e que é verdadeira. “Catedral” é uma música verdadeira, uma versão que fiz da minha própria história, da minha vida.

Você estava me dizendo que se emocionou. Fico feliz, como sempre fico, porque a música precisa que o outro se apodere dela. A nossa profissão se realiza no outro. Isso é complexo e lindo. Milton Nascimento pode fazer a música mais linda do universo, mas, se você não ouvir e aquilo não disser alguma coisa, não adianta.

O artista precisa se completar em quem o ouve, em quem o vê. A gente precisa que alguém sinta alguma coisa. Esse desafio é difícil, mas é o que faz ser tão incontrolável. A música é uma arte muito portátil. Isso é bonito demais.

Coluna - Você já contou que sentia vergonha da própria voz. Quando percebeu que justamente aquilo que a incomodava era o que tornava você única?

Zélia Duncan - Essa foi a grande virada da minha vida. Descobri quando comecei a cantar, quando vi que tinha uma voz que não era só a de uma menina que cresceu demais, que não era uma princesinha e que, mais tarde, se viu também na comunidade LGBT.

Compartilhar
Publicidade
Faça sua inscrição no site oficial da Corrida!

Mais em Brasil

Homem agride mulher em bar e é contido pelo prefeito de Itaquaquecetuba (SP)
há 9 min

Homem agride mulher em bar e é contido pelo prefeito de Itaquaquecetuba (SP)

Sobe para 2 o número de desaparecidos após temporal atingir estado de SP
há 16 min

Sobe para 2 o número de desaparecidos após temporal atingir estado de SP

No GP de São Paulo, Senna Brands celebra legado e expansão dos negócios
há 16 min

No GP de São Paulo, Senna Brands celebra legado e expansão dos negócios

Câmara e Bortoleto sobem no grid após punições no GP de São Paulo; veja
há 18 min

Câmara e Bortoleto sobem no grid após punições no GP de São Paulo; veja

Publicidade
Faça sua inscrição no site oficial da Corrida!