Por Alexandre Feldman*
Você respira cerca de 20 mil vezes por dia, quase sempre sem perceber. Repare agora: o ar está entrando pelo nariz ou pela boca?
Se você acorda com a boca seca, ou se alguém já reclamou do seu ronco, talvez passe parte da noite de boca aberta. Num laboratório do sono, 12 adultos saudáveis dormiram ora respirando só pela boca, ora só pelo nariz. Pela boca, a respiração parou ou diminuiu 43 vezes por hora. Pelo nariz, 1,5 vez.
Quando respiramos pela boca, o ar chega aos pulmões sem o filtro do nariz e sem um gás que o nariz acrescenta, chamado óxido nítrico. O óxido nítrico relaxa os vasos sanguíneos, tem ação broncodilatadora, otimiza a troca gasosa nos pulmões, e tem ação antimicrobiana reduzindo a carga de bactérias, vírus e fungos antes que atinjam os pulmões.
Há um engano que se ensina na escola, onde aprendemos que o oxigênio é bom e o gás carbônico é resíduo, lixo e até tóxico. Daí a ideia de que respirar mais é sempre melhor, pelo nariz ou pela boca, já que “ajuda a oxigenar o organismo”.
Além do caminho por onde o ar entra, também é importante a quantidade de ar que movimentamos. São duas questões diferentes: podemos respirar pela boca sem hiperventilar e hiperventilar pelo nariz. O excesso aparece quando a ventilação ultrapassa as necessidades do metabolismo. Isso pode acontecer em situações de ansiedade ou dor intensa, inclusive durante uma crise de enxaqueca.
