As eleições de meio de mandato realizadas nos Estados Unidos, em 3 de novembro de 2026, produziram um recado político inequívoco. Os republicanos perderam o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, impondo a Donald Trump uma derrota que ultrapassa a simples alternância parlamentar. O resultado representa uma manifestação significativa de insatisfação com os rumos de seu governo.
Porém, ao que parece, a interpretação de Trump é outra. Suas primeiras decisões indicam algo preocupante: em vez de considerar a necessidade de moderação, diálogo ou revisão de estratégias, o presidente parece disposto a aprofundar justamente os aspectos mais controversos de sua administração. E, neste sentido, a substituição de Susie Wiles por Stephen Miller na chefia de gabinete da Casa Branca é emblemática.
Wiles representava uma dimensão mais pragmática da administração. Reconhecida por sua capacidade de organização política, coordenação institucional e administração de conflitos, desempenhava uma função essencial de equilíbrio em um governo caracterizado pela centralidade da personalidade presidencial..
Seu substituto, Stephen Miller não é um administrador convencional. Trata-se de um dos principais formuladores ideológicos do trumpismo, especialmente das políticas migratórias mais restritivas. Desde a campanha de 2016, mantém relação de extraordinária proximidade com Trump, destacando-se pela lealdade pessoal, pelo nacionalismo e pela defesa de medidas executivas contundentes.
