Poucos vinhos italianos carregam uma história tão antiga e, paradoxalmente, são tão frequentemente vítimas de preconceito quanto o Lambrusco. Associado durante décadas a produtos baratos, adocicados e de qualidade duvidosa, esse vinho efervescente da Emilia-Romagna possui, na realidade, uma tradição vitivinícola secular, uma notável diversidade de uvas e estilos e uma identidade gastronômica que merece ser redescoberta.
Sua origem remonta à Antiguidade. Escritores romanos como Virgílio, Catão e Varrão mencionaram em suas obras a chamada Vitis Labrusca, expressão utilizada para designar videiras silvestres que cresciam espontaneamente nas regiões da planície padana. Embora não seja possível estabelecer uma relação genética direta e definitiva entre essas videiras ancestrais e todas as variedades atuais, considera-se que elas estejam na origem da família de castas que conhecemos como Lambrusco. Plínio, o Velho, também registrou a vocação vitícola da região em sua obra Naturalis Historia, publicada no século I.
Ao longo dos séculos, a viticultura desenvolveu-se especialmente nas províncias de Modena e Reggio Emilia, consolidando uma tradição que atravessou a Idade Média e o Renascimento. Em 1597, Andrea Bacci, médico do papa Sisto V e estudioso da viticultura, já elogiava os vinhedos entre Modena e Parma, mencionando vinhos brancos e tintos agradavelmente frisantes.
